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Termo de Referência

Atualizado em 19/11/14 09:32.

 Introdução

      A discussão contemporânea de promoção de saúde busca novas respostas sobre como diferentes ambientes na sociedade poderiam tornar-se ambientes de suporte para promover saúde. Nas últimas décadas, a Organização Mundial da Saúde tem disseminado o conceito e apoiado a criação de Ambientes Saudáveis, estimulando agências nacionais e internacionais, comunidades, organizações governamentais e não governamentais e o setor privado a investirem nesta estratégia pelo seu potencial em promover a saúde física, social e emocional de estudantes, trabalhadores e demais membros da comunidade.

      O desenvolvimento de programas de promoção de saúde dentro do espaço das universidades tem sido reconhecido como uma alternativa intersetorial viável, que resulta na melhoria da qualidade de vida de uma importante parcela da população das cidades. Experiências internacionais têm demonstrado que universidades, como espaços sociais, oportunizam ações de promoção de saúde de amplo espectro, dando suporte ao aprendizado e pesquisa, por meio de um trabalho conjunto voltado para a resolução de problemas que desafiam o bem-estar de quem vive, trabalha, visita ou busca atendimento junto à universidade. Especificamente, ações promocionais voltadas para estudantes favorecem uma formação integral, estimulando a prática profissional responsável, engajada com a realidade social.

       Tal estratégia oportuniza ações de promoção de saúde que reforçam a compreensão e aplicação dos compromissos assumidos internacionalmente, tanto na área específica da saúde, quanto nas áreas de direitos sociais e desenvolvimento sustentável, amplamente discutidos na Declaração de Alma Ata (1978), na Carta de Ottawa (1986), nas Conferências de Adelaide (1988) e Sundsvall (1991), na Declaração de Jacarta (1997) e na Conferência do México (2000), bem como na Agenda 21 (1992), Carta do Caribe (1993) e na Conferência Pan-Americana sobre Saúde e Ambiente (1995).

      Promover saúde implica em proporcionar à população as condições necessárias para melhorar e exercer controle sobre sua saúde, envolvendo “paz, educação, moradia, alimentação, renda, um ecossistema saudável, justiça social e equidade”. Tal conceito baseia-se nos seguintes princípios: (I) que saúde deve ser parte integrante de ações voltadas para o desenvolvimento; (II) que saúde pode ser melhorada através da modificação do ambiente físico, social e econômico; (III) que as condições em espaços sociais como a casa, a escola, a universidade, a comunidade, o local de trabalho e a cidade influenciam profundamente a condição de saúde das pessoas; e (IV) que ações intersetoriais voltadas para a saúde são necessárias no nível local. Por isso, é essencial que pessoas e organizações assumam seu papel na criação de oportunidades e escolhas saudáveis, mediante o comprometimento político com o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades sociais e de saúde.

      Universidades são, portanto, espaços sociais estratégicos para a promoção de saúde por sua potencial contribuição à saúde de grupos populacionais específicos a elas relacionados, com conseqüente impacto sobre a população geral.

      Tsouros, Dowding e Dooris (1998), discutindo o referencial estratégico para o desenvolvimento de projetos de Universidades Saudáveis, aponta alguns aspectos importantes sobre o papel das Universidades no Século 21, seu potencial para promover saúde e as justificativas para seu envolvimento neste processo.

      O papel das Universidades no Século 21

      O papel das Universidades no Século 21 vem sendo tema de muitas discussões. Alguns aspectos-chave que poderiam ser destacados incluem:

      • A universidade é um centro de aprendizagem e desenvolvimento, com ações em educação, treinamento e pesquisa;
      • A universidade também é um centro de criatividade e inovação, expressa no processo de aprendizagem, na organização, junção e aplicação do conhecimento e na compreensão intra e interdisciplinar;
      • De modo amplo, a universidade caracteriza-se como um ambiente onde alunos desenvolvem independência e aprendem habilidades para a vida mediante vivências de experimentação e exploração;
      • As mudanças na educação superior têm oportunizado que as universidades tornem-se ambientes onde estudantes maduros também possam passar por processos de aprendizagem;
      • Uma universidade é um recurso e uma parceira para comunidades locais;
      • Finalmente, uma universidade é uma instituição cada vez mais preocupada com sua imagem, desempenho e eficiência no mercado competitivo.

      Todos estes papéis oferecem oportunidades para uma universidade influenciar a saúde e a qualidade de vida de seus membros e a comunidade externa, contribuindo para o conhecimento e o reforço da cidadania. Universidades Saudáveis integram o comprometimento com a sociedade, em seu amplo aspecto, nas políticas e práticas universitárias.

      O potencial das Universidades para promover saúde

      Muitas universidades têm se preocupado em promover a saúde e qualidade de vida de sua comunidade. A abordagem de promoção de saúde em ambientes sociais tem o potencial de ampliar a contribuição das universidades de várias formas:

       • Universidades são instituições onde muitas pessoas vivem e experimentam diferentes aspectos de suas vidas: pessoas aprendem, trabalham, socializam e aproveitam seu tempo de lazer, além de, em muitos casos, utilizarem serviços oferecidos. Universidades, portanto, têm um amplo potencial para proteger a saúde e promover o bem estar de estudantes, funcionários (acadêmicos e não-acadêmicos) e a comunidade, em toda sua abrangência, pelas políticas e práticas empregadas;
       • Universidades formam estudantes que são ou serão profissionais e formuladores de políticas com o potencial de influenciar as condições que afetam a qualidade de vida de pessoas. Mediante o desenvolvimento do currículo e de pesquisa, universidades podem ampliar o conhecimento e o comprometimento com a promoção da saúde de um vasto número de indivíduos capacitados e educados em várias áreas de atuação. Isto inclui, portanto, o comprometimento não apenas de profissionais da área de saúde, mas também aqueles dos cursos das áreas sociais, tecnológicas e humanas;
       • Sua ação comunitária dá oportunidade para servir de exemplo de boas práticas em relação à promoção da saúde e usar sua influência em benefício da saúde e qualidade de vida da comunidade local, nacional e internacional. Universidades, portanto, possuem um o potencial de contribuir para a saúde em três áreas distintas:
       • Criando ambientes de trabalho, aprendizagem e vivências saudáveis para estudantes e funcionários;
       • Ampliando a importância da saúde, promoção da saúde e da saúde pública no ensino e na pesquisa;
       • Desenvolvendo alianças e parcerias para a promoção da saúde e atuação comunitária.

      Por que as universidades deveriam se envolver?

      Universidades envolvidas com projetos de promoção de saúde podem obter muitos benefícios, desde a valorização de sua imagem pública, sua importância para a saúde local, regional e nacional, incluindo a melhoria da qualidade de vida de estudantes e funcionários, além da melhoria das condições de atividade e de permanência das pessoas que ali trabalham, estudam, vivem e socializam.

      Um projeto de promoção de saúde na universidade integraliza iniciativas já existentes voltadas para a saúde e qualidade de vida da comunidade universitária, motivando e estimulando maior participação e coordenação destas ações.

      Em termos acadêmicos, um projeto como este tem o potencial de reforçar as discussões sobre saúde e promoção de saúde em várias áreas acadêmicas, ampliar a credibilidade de pesquisas inovadoras na área, além de dar suporte para uma mudança no foco das pesquisas, direcionando-as mais para ações ampliadas, multidisciplinares, voltadas para a busca de soluções de impacto sobre a qualidade de vida na cidade e o combate às desigualdades sociais e de saúde.

      Outros aspectos relacionados ao projeto no âmbito da universidade podem incluir:

      • Maior integração entre pesquisa e prática;
      • Aumento de oportunidades de colaboração com a comunidade interna e externa permeadas de trocas de conhecimentos, práticas baseadas em experiências concretas e busca de soluções pela expansão de redes de cooperação;
      • Ampliação da responsabilidade sobre saúde, removendo o foco exclusivo em profissionais de saúde para toda a comunidade universitária, o que requer um compromisso com a busca da melhoria da qualidade de vida;
      • Maior incentivo aos que trabalham na universidade;
      • Manutenção de uma força de trabalho saudável e produtiva, reduzindo o absenteísmo e encorajando estudantes e funcionários a manterem-se saudáveis para o cumprimento de suas tarefas;
      • Redução de custos empregatícios;
      • Redução da evasão de estudantes;
      • Melhoria no desempenho acadêmico – estudantes saudáveis são melhores aprendizes;
      • Aumento da efetividade;
      • Vantagem competitiva e ampliação de sua responsabilidade social.

      O principal desafio de uma Universidade Saudável é integrar a promoção de saúde nas políticas e práticas universitárias. Isto pode ser obtido por intermédio do desenvolvimento de políticas saudáveis e planejamento sustentável na universidade, criação de ambientes de trabalho saudáveis, oferecimento de ambientes de suporte social e cuidados primários em saúde, facilidades para o desenvolvimento pessoal e social, ambiente físico sustentável e saudável, encorajamento da ampliação do interesse acadêmico por promoção da saúde e desenvolvimento de parcerias com a comunidade.

      Além disso, a participação da Universidade na gestão pública da promoção de saúde, integrando e interagindo em ações multisetoriais e multiinstitucionais na prática de promoção de saúde voltadas para a população da cidade, amplia sua capacidade de assumir seu papel e responsabilidade social na busca da melhoria da qualidade de vida.

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